Alterações hormonais que dificultam o emagrecimento
Alterações hormonais que dificultam o emagrecimento

O sobrepeso e obesidade geram e podem ser decorrentes de alterações metabólicas complexas no nosso organismo. Assim, é fundamental garantir que que todos os parâmetros hormonais e vias de sinalização para controle de apetite e perda de gordura estão funcionando adequadamente. A seguir, são elencados alguns destes hormônios, que deve estar em níveis adequados para o emagrecimento.  

Insulina

            A resistência à insulina e obesidade são condições relacionadas que geralmente ocorrem juntas. A insulina é um hormônio produzido no pâncreas em resposta à alta disponibilidade de nutrientes. Em condições saudáveis, a insulina aumenta a captação de glicose pelas células, que armazenam excesso como energia ou gordura.

            Em condições não saudáveis, incluindo aquelas causadas por uma dieta hipercalórica e pobre em nutrientes , a inflamação de baixo grau faz com que as nossas células se tornem cada vez mais resistentes aos efeitos da insulina. À medida que a resistência à ela progride, os níveis de insulina e glicose aumentam e o tecido adiposo libera ácidos graxos livres na circulação.

            Os mecanismos moleculares para o desenvolvimento de resistência a insulina relacionados à obesidade vem sendo pesquisados intensamente, assim evidências científicas relatam que o excesso de tecido adiposo e o consumo elevado de gorduras são capazes de sintetizar e ativar proteínas com ações inflamatórias que influenciam na captação de glicose nas células.

            A partir disto, o tecido adiposo vem sendo alvo de pesquisadores para esclarecer esta relação entre obesidade e resistência à insulina. Atualmente este tecido não é considerado somente um armazenador de energia, mas também um órgão endócrino com funções de sintetizar e liberar proteínas biologicamente ativas.

            Portanto, o excesso de tecido adiposo leva a um estado de inflamação crônica de baixo grau, gerandado altos níveis de radicais livres que danificam os tecidos sendo sugerido como um elo importante entre distúrbios metabólicos e inflamatórios crônicos.

Hormônios da tireóide

            Os hormônios produzidos na glândula tireóide aumentam o gasto total de energia, visando o metabolismo celular e a capacidade de produção de energia, e contribuem para os mecanismos de controle de peso por meio de ações sobre apetite, sinalização do tecido adiposo e cerebral.

            O hipotireoidismo está associado à diminuição da temperatura corporal, a uma taxa metabólica diminuída e também há correlação com um maior índice de massa corporal e uma maior prevalência de obesidade.

            Existem evidências clínicas sugerindo que mesmo uma disfunção tireoidiana leve na forma de hipotireoidismo subclínico está ligada a alterações significativas no peso corporal e representa um fator de risco para sobrepeso e obesidade; no entanto, essa área permanece controversa.

            Observou-se ainda que pequenas variações no TSH sérico causadas por mudanças mínimas na dosagem de T4 durante a terapia de reposição estão associadas a um gasto energético de repouso significativamente diferente em pacientes com hipotireoidismo. No entanto, há uma escassez de dados sobre a extensão real do ganho e perda de peso com o tratamento com levotiroxina no hipotireoidismo.

            É importante testar a função tireoidiana naqueles que lutam para perder peso, uma vez que o tratamento com terapia de reposição hormonal da tireóide pode ser útil em alguns caso; todavia, ela não é segura para o tratamento de sobrepeso e obesidade em pessoas com função tireoidiana normal.

Estrogênios e progesterona

            Alterações nos níveis hormonais femininos ao longo da vida contribuem para alterações bem conhecidas no metabolismo. Níveis mais altos de estrogênio em mulheres em idade reprodutiva favorecem o acúmulo subcutâneo de gordura, principalmente nos quadris e coxas; por outro lado, depois que os níveis de estrogênio caem na menopausa, as mulheres tendem a acumular gordura central e visceral e perdem músculos.

            As alterações na composição corporal e na distribuição de gordura associadas à perda de estrogênio estão ligadas a distúrbios metabólicos e aumento do risco cardiovascular. O estrogênio também estimula o aumento da temperatura corporal no tecido adiposo, aumentando o gasto total de energia. Uma diminuição pós-menopausa no gasto de energia devido à redução deste hormônio explica também como estrogênio pode contribuir para o ganho de peso.

Escrito por Felipe Cezar Dias – CRM/PR 34055

Referências:

https://www.lifeextension.com/protocols/metabolic-health/weight-loss

Czech MP. Insulin action and resistance in obesity and type 2 diabetes. Nat Med. 2017;23(7):804-814. doi:10.1038/nm.4350

Freitas, M C; Ceschini, F L; Ramallo, B T. Resistência à insulina associado à obesidade: Efeitos anti-inflamatórios do exercício físico. R. Bras. Ci. e Mov. 2014; 22(3): 139-147.

Sanyal D, Raychaudhuri M. Hypothyroidism and obesity: an intriguing link. Indian J Endocrinol Metab. 2016;20:554.

Lizcano F, Guzmán G. Estrogen Deficiency and the Origin of Obesity during Menopause. Biomed Res Int. 2014;2014:757461.