Imunidade e N-Acetilcisteína
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A atividade imune de cada indivíduo está entre os processos mais complexos e fascinante que existem. Talvez por conta disso, carecemos de estudos científicos que consigam comprovar que alguma substância “aumente” nossa imunidade. Contudo, diversas substâncias já demonstraram ter algum efeito sobre o sistema imune.

            A N-acetilcisteína, por exemplo, já é muito utilizada para tornar fluida secreções, facilitando a sua eliminação das vias respiratórias. É, ainda, usada como antídoto de danos hepáticos provocados pelo paracetamol, regenerando os estoques de uma substância vital para a função normal do fígado (a glutationa).

            Essa função ímpar de aumentar a glutationa, o maior antioxidante do nosso corpo é especialmente interessante se considerarmos que o processo de envelhecimento é um processo oxidativo e que a inflamação, como forma de defesa, gera diversas moléculas oxidativas que precisam ser neutralizadas. Outro dado que liga a oxidação a imunidade, é que um estado de déficit antioxidante tem sido relacionado a respostas imunes prejudicadas, levando a infecções freqüentes e graves que resultam em aumento da mortalidade.

            Dessa forma, como a função das células imunes está particularmente ligada à geração de espécies reativas de oxigênio, esse equilíbrio oxidante-antioxidante é essencial às células imunes, que são, além disso, altamente sensíveis a danos causadas por estresse oxidativo.

            Isso significa que, moléculas antioxidantes, como a N-acetilcisteína “amortecem” e regulam a resposta imune, diminuindo o impacto que o excesso de inflamação no pulmão, por exemplo, poderia causar levando a uma insuficiência respiratória.

Referências:

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Nutraceuticals have potential for boosting the type 1 interferon response to RNA viruses including influenza and coronavirus Progress in Cardiovascular Diseases Mark F.McCarty, James J.DiNicolantonio, Fev (2020)