Síndrome pós-finasterida. Até que ponto é real?
Síndrome pós-finasterida. Até que ponto é real

Muito se fala a respeito dos efeitos colaterais, em homens, da finasterida, medicamento amplamente utilizado para tratamento da alopecia de padrão androgênico. Mas até onde vão os sintomas e qual a probabilidade estatística dessas alterações ocorrerem ainda levanta questionamentos.

A finasterida foi inicialmente utilizada para hiperplasia prostática em doses de 5mg e é uma medicação para uso em longo prazo. A princípio, se deve utilizar a finasterida por pelo menos 1 ano para avaliação de eficácia ou não. Os efeitos colaterais mais observados são: ginecomastia,  diminuição de libido sexual, distúrbios ejaculatórios, distúrbios do pênis e testículos, sintomas cognitivos e sintomas psicológicos.

É importante salientar que pouca parte dos pacientes que utilizam a medicação irá experimentar algum destes sintomas, sendo que a grande maioria deles regride com o cessar da medicação. Contudo, há relatos na literatura da síndrome pós-finasterida caracterizados por efeitos colaterais duradouros após a parada da medicação.

Alguns autores citam a síndrome como semelhante aos efeitos sexuais relacionados ao uso contínuo de antidepressivos, em especial os inibidores da recaptação de serotonina, mesmo após o término da medicação.  Outros demonstram que pessoas com diferenças no código genético para produzir determinados receptores para os andrógenos têm maior suscetibilidade para efeitos adversos que outras.

Hoje, os efeitos adversos da finasterida (encontrados durante administração de medicamentos) que persistem por muito tempo em alguns pacientes integram a chamada síndrome pós-finasterida (efeitos colaterais residuais). Ainda assim, efeitos colaterais pós-finasterida devem ser visto como distintos dos efeitos adversos da finasterida, pelo menos por dois motivos importantes.

Primeiro, efeitos adversos da finasterida são relacionados à presença direta/ação da droga (náusea, hipotensão postural, urticária, erupção cutânea, etc.) e cessam após a interrupção da finasterida.

Segundo, muitos efeitos adversos que são induzidos devido a efeitos indiretos da ação de finasterida (via hormônios e receptores de GABA) persistem após a cessação da finasterida. Estes sugerem que a finasterida simplesmente desencadeia/inicia os respectivos distúrbios neuroendócrinos, que então têm a capacidade de automanutenção ao longo do tempo eventualmente, mesmo evoluindo para novos desequilíbrios neuroendócrinos complexos (não necessariamente relacionado à finasterida).

Por estas razões, é recomendável que os efeitos adversos da finasterida e síndrome pós-finasterida sejam abordados separadamente, já que eles pertencem a entidades de fisiopatologia distintas e, portanto, exigem talvez distintas abordagens terapêuticas.

Embora a perspectiva geral indique a administração de finasterida como relativamente segura, afinal os efeitos adversos perfazem um total de 2% de todos os usuários, a literatura pede prudência. Assim, recentes estudos relatam que alguns sujeitos tratados com finasterida para alopecia androgênica podem desenvolver sintomas depressivos graves, em parte devido a efeitos colaterais sexuais persistentes.

Estes efeitos adversos relacionados com a finasterida/pós-finasterida ainda estão em estudo, com uma difícil avaliação devido ao fato de que tanto as funções mentais quanto sexuais (geralmente afetadas em conjunto pela finasterida) ainda não foram descritas de acordo com as perspectivas clínica e psicofisiológica.

Além disso, a síndrome pós-finasterida tem sido descrita e reconhecida apenas recentemente, exigindo assim mais estudos sobre sintomatologia e a melhor abordagem terapêutica.

Outro fator importante é a não automedicação, afinal, apenas com acompanhamento médico é possível se estabelecer um diagnóstico preciso, definir dose e manejar efeitos adversos.

 

Fonte: Post-finasteride syndrome and post-SSRI sexual dysfunction: two sides of the same coin? Endocrine. 2018 Aug;61(2):180-193.

Cecchin, E., De Mattia, E., Mazzon, G., Cauci, S., Trombetta, C., & Toffoli, G. (2014). A Pharmacogenetic Survey of Androgen Receptor (CAG)N and (GGN)N Polymorphisms in Patients Experiencing Long Term Side Effects after Finasteride Discontinuation. The International Journal of Biological Markers, 29(4), 310–316

Rowland DL, Motofei IG, Popa F, Constantin VD, Vasilache A, Păunică I, Bălălău C, Păunică PG, Banu P, Păunică S. The postfinasteride syndrome; an overview. J Mind Med Sci. 2016;3:99–107.

 

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Dr. Felipe Cezar Dias CRM-PR 34055

Membro da Sociedade Brasileira do Cabelo e da International Dermoscopy Society.