Um fator de risco chamado Obesidade
Um fator de risco chamado obesidade2

A obesidade e o sobrepeso são doenças crônicas com grandes repercussões no nosso organismo. Estima-se que mais de 50% da população brasileira está com excesso de peso e esse dado se torna ainda mais alarmante quando percebemos quantas doenças, inclusive formas graves de doenças infecciosas, podem estar relacionadas a estas condições.

            Hoje, já foram relacionados mais de 250 genes à obesidade. Contudo, antes de culparmos a genética pela doença, inúmeros fatores ambientais, como alimentação, atividade física, estresse, tabagismo e alcoolismo, são capazes de ativar ou silenciar os genes envolvidos no processo de ganho de peso. Portanto, muitas das causas da obesidade são completamente evitáveis e reversíveis.

            Todavia, nem sempre isso é um processo fácil. As alterações metabólicas induzidas pelo excesso de gordura são profundas. Ela funciona como uma verdadeira glândula endócrina no nosso organismo secretando diversas substâncias com ações à distância, com participação desse tecido no equilíbrio energético, na imunidade, na resposta inflamatória, na sensibilidade insulínica, na fabricação de vasos e na pressão sangüínea.

            Embora a multiplicidade de funções do tecido adiposo seja algo complexo, sabe-se que essas ocorrem de forma integralizada aos demais sistemas orgânicos. O que nos leva a causa das doenças relacionadas a obesidade, como a diabetes tipo 2, o câncer e doenças cardiovasculares: a inflamação.

            As células de gordura são capazes de secretar moléculas com funções pró-inflamatórias no nosso organismo gerando um estado de baixo grau de inflamação crõnica. Alguns destes marcadores são o TNF-alfa e a IL-6 que estimulam a produção de outras moléculas ligadas a inflamação em outros órgãos como a proteína C reativa no fígado.

            O TNF-α é uma molécula responsável inicialmente por eliminação de tumores. Atualmente se sabe que o TNF-α está associado às condições de obesidade e resistência a insulina, hormônio que coloca o açúcar dentro das células a partir da corrente sanguínea. Além disso, em estudos, o TNF-α pode acelerar o processo de enrijecimento dos vasos por induzir as moléculas de adesão que lesionam a parede deles.

            O risco para formas graves de doenças infecciosas como a COVID-19 também pode ser explicado por essas moléculas. A síndrome da resposta inflamatória, uma complicação comum na COVID-19 grave, é promovida por uma maior produção de IL-6 e outros fatores pró-inflamatórios. Isso sugere que a IL-6 é um fator pró-inflamatório chave que desencadeia a “tempestade” inflamatória nos pacientes. Aqueles obesos e com sobrepeso já tem um aumento de IL-6 que pode ter um papel aditivo / sinérgico na promoção de maior gravidade de COVID -19.

            Portanto, o tratamento deste fator de risco importante para doenças graves e potencialmente fatais é fundamental. Pode-se utilizar ácidos graxos ômega-3, que apresentam ação antiinflamatória, desempenhando papel importante no tratamento dietoterápico da obesidade, em adição a compostos biologicamente ativos, presentes em alimentos, como butirato, cúrcuma, resveratrol, luteína, quercetina e oleuropeína, que modulam mediadores pro e/ou antiinflamatórios.

Escrito por Felipe Cezar Dias

Referências:

Leite, Lucia & Rocha, Érika & Brandão-Neto, José. (2010). Obesidade: uma doença inflamatória.

Zheng, Kenneth I et al. Obesity as a risk factor for greater severity of COVID-19 in patients with metabolic associated fatty liver disease. Metabolism; 108: 154244, 2020 Apr 19.